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Em depoimento, Moro diz que Bolsonaro pediu comando da PF no RJ

Em depoimento à Polícia Federal no último sábado (2), o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, afirmou que o presidente Jair Bolsonaro pediu, ainda em fevereiro, por mensagem de celular, a troca do superintende da PF no Rio de Janeiro.

Segundo relatórios amplamente divulgados pela imprensa, a mensagem dizia: “Moro, você tem 27 superintendência, eu quero apenas uma, a do Rio de Janeiro”.

Moro foi questionado sobre por qual motivo Bolsonaro gostaria de interferir na PF do Rio de Janeiro. Ele disse que somente o próprio presidente poderia responder a esse respeito.

O ex-ministro da Justiça disse à PF que “não nomeou e não era consultado” sobre o comando dos órgãos regionais. Essas escolhas, conforme Moro, cabiam exclusivamente ao ex-diretor-geral da corporação, Mauricio Valeixo.

Reação de Valeixo
Ainda nesta conversa nos EUA, relata Moro, Valeixo declarou que estava “cansado da pressão para a sua substituição” e para a troca do comando da PF no Rio. E que, por isso, concordaria em sair do cargo.

Até ali, diz Moro, não havia solicitação da Presidência da República “sobre interferência ou informação de inquéritos que tramitavam no Rio de Janeiro”.

O ex-ministro diz que cogitou atender às trocas se pudesse indicar novos perfis técnico. Depois, diz ter voltado atrás.

Véspera da demissão
Em encontro na manhã do dia 23 de abril, Moro conta que foi avisado da demissão “a pedido” de Valeixo. O substituto, já definido, seria Alexandre Ramagem, pois ele é uma pessoa de confiança do presidente, “com o qual ele poderia interagir”.

“O Declarante [Moro] informou ao Presidente que isso representaria uma interferência política na PF, com o abalo da credibilidade do governo, isso tudo, durante uma pandemia”, diz o termo de depoimento. Em resposta, Moro diz ter ouvido que Bolsonaro “lamentava”, mas que a decisão “já estava tomada”.

Moro relatou então reunião com os ministros Luiz Eduardo Ramos, Augusto Heleno e Braga Netto. Com eles, o ex-ministro afirmou que compartilhou a informação dos pedidos de Bolsonaro para obter relatórios de inteligência da PF. Diz, também, que o ministro Heleno afirmou nesta reunião que “o tipo de relatório de inteligência que o Presidente queria não tinha como ser fornecido”.

Os ministros, segundo o depoimento, disseram que conversariam com o presidente sobre o tema, mas não deram retorno a Moro naquele dia.

Moro reitera que não assinou exoneração

O ex-ministro voltou a dizer que não assinou a exoneração de Maurício Valeixo, tampouco recebeu pedido escrito ou formal de exoneração do ex-diretor-geral da PF. Moro afirma que se reuniu com Valeixo durante aquela manhã, e ele teria dito que não teria assinado ou feito qualquer pedido de exoneração.

Segundo o termo de depoimento, Valeixo disse a Moro que recebeu ligação do presidente na noite anterior, informando da exoneração e perguntando se poderia ser “a pedido”.

Em resposta, de acordo com Moro, Valeixo disse que “como a decisão já estava tomada não poderia fazer nada para impedir, mas reiterou que não houve, nem partiu dele, qualquer pedido de exoneração”.

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