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“Nunca me senti tão mal”, diz médico curado do corona após 6 dias na UTI

Infectado pelo coronavírus após contato com uma enfermeira da mesma unidade de saúde onde trabalhava, no Tatuapé (SP), o ortopedista Henrique de Souza Rodrigues, 31, está entre os sobreviventes da doença.

Após apresentar os sintomas, ficou quase uma semana internado na UTI do Hospital São Luiz, em São Caetano do Sul (SP), com tosse, febre alta e grave falta de ar. Passada a fase de internação e isolamento social em casa, ele se recupera de uma sequela do coronavírus —uma pneumonia—, mas já é considerado curado da covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus.

Ao falar sobre como é estar curado de uma doença que aterroriza o mundo inteiro, o médico procura minimizar: “Não é um bicho de sete cabeças”. Mas relata ter passado por momentos preocupantes na UTI. Leia a seguir o depoimento de Henrique de Souza Rodrigues:

“Eu sentia muita dor no corpo, tossia muito e minha febre ficava em 39 graus. Mesmo com dipirona e Tylenol (paracetamol), baixava muito pouco. Procurei o hospital duas vezes. Mas não quiseram fazer o teste [para coronavírus]. Eu estava com os sintomas da doença desde o último dia 6. Mas fui piorando, piorando, até que a tosse e a falta de ar ficaram muito fortes. No dia 12, acabei na UTI.

Mesmo sem fazer o teste específico para o coronavírus, uma tomografia de pulmão já mostrava um padrão característico da doença, o que chamamos de vidro fosco.

Os primeiros dias na UTI, onde fiquei até o dia 18, foram difíceis. Foram seis dias de internação e muita febre. O mais complicado foi o segundo dia: eu piorei e a febre não passava. A falta de ar estava mais forte. E a minha maior preocupação era com a minha família. Tenho avós com mais de 80 anos e poderia tê-los infectado também. E, por causa do vírus, eu não podia ficar recebendo visitas, nem da minha mulher.

Como meu exame de sangue mostrava uma alteração das células infecciosas, os únicos remédios que me deram neste período foram antibióticos. Essa doença é provocada por um vírus e não existe tratamento, então a intenção foi evitar uma infecção bacteriana com Claritromicina e Ceftriaxona.

Depois de seis dias de internação, eu saí da UTI e fui para casa. Mas a recomendação era continuar isolado.

Passado o período de 14 dias de transmissão do corona, estou me recuperando. A gente tem um entendimento melhor por ser médico, mas essa doença assusta muito. Nunca me senti tão mal, mesmo quando tive pneumonia anteriormente. Mas não é um bicho de sete cabeças —80% das pessoas têm sintomas gripais leves.”

Portal UOL

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